quarta-feira, 26 de maio de 2010

1. FUNDAMENTOS DA LOGÍSTICA

A logística é vem demandado de forma crescente estudos e trabalhos para a melhoria do desempenho empresarial neste início de século. Mas, por quê? Primeiramente, somente pelo fato de ser responsável por altos orçamentos em todo o mundo. De acordo com Figueiredo, Wanke e Fleury (2003), as 500 maiores empresas industriais brasileiras gastam cerca de R$39 bilhões por ano em operações logísticas. A Harvard Business School Publishing (2002) aponta que as empresas americanas gastaram mais de US$1 trilhão em atividades relacionadas ao fornecimento (aproximadamente 55% em transportes e 45% em estoques). Já no Brasil, estima-se que os gastos logísticos cheguem a R$160 bilhões por ano.

Mas não é somente a preponderância dos custos logísticos nos orçamentos que torna o setor importante. A logística também é diretamente responsável pelo nível de serviço aos clientes, com a promessa de entrega dos materiais adequados, no momento prometido, no local certo e na quantidade esperada. Assim, basta imaginar quanto dinheiro está empatado nos estoques de uma determinada loja e o quão importante é a presença destes estoques adequados no momento da compra pelo cliente, para perceber a relevância desta disciplina.

E o que é a logística? Qual a responsabilidade deste setor? Quais as atribuições de quem trabalha na área e qual o retorno esperado para a empresa? Mesmo sendo tão presente no dia a dia de cada um de nós, como veremos em seguida, a logística ainda traz uma série de questões e muitos não temem em demonstrar uma total incompreensão sobre o seu funcionamento.


Esta falta de informação já se demonstra desde a origem do termo “logística”. Enquanto alguns autores afirmam que a palavra deriva do grego “logos”, que significa razão, cálculo, análise ou de “logistikos”, significando cálculo, outra corrente defende que o primeiro a utilizar a palavra no contexto que atualmente conhecemos foi o francês Antoine-Henri Jomini, general de Napoleão. No francês, o termo “loger” significa alocar, dispor, locar e, neste sentido, a palavra estaria relacionada à distribuição e locação de recursos físicos às operações, neste caso, as operações logísticas militares.



A origem dos trabalhos pela área militar é um fato. Foram os militares que desenvolveram os maiores estudos logísticos e elevaram esta disciplina ao grau de sofisticação atual. É fácil de entender esta relação, já que a logística militar é extremamente importante para o sucesso de uma operação de guerra. Mas não foi sempre assim. Nos tempos mais remotos, a guerra era ainda decidida pela força bruta dos grandes exércitos. Nesta época, os recursos necessários para a manutenção da tropa, como armas, munições, alimentos, remédios, etc. eram obtidos através de saques às cidades nas quais chegavam. Contudo, com o próprio crescimento das cidades-fortaleza, estas operações acabaram perdendo a eficiência. Bastava isolar a área que cercava uma localização que havia sido recentemente tomada, por exemplo, para eliminar todas as fontes de suprimentos de alimentos e assim acabar com uma estratégia de dominação.

Aos poucos a logística se torna uma área cada vez mais fundamental para o sucesso de operações militares. Não é surpresa a logística se transformar, em 1888, em disciplina na Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos e ter, já em 1917, publicado pelo coronel Thorpe, do corpo de fuzileiros navais americanos, o primeiro livro: Logística Pura - A ciência de preparação para a guerra.

Dos estudos militares até a difusão e crescimento no meio empresarial, muito tempo e muitas transformações se passaram. Para entender a abrangência desta disciplina, as diversas formas de atuação e sua interação com o contexto no qual está inserida, assim como suas futuras tendências, é preciso dar uma rápida observada na sua evolução.

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